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julho 27, 2004
Improvisando
Eu sou aquele tipo de mestre que sempre tem uma avenutra pronta, se houver tempo para fazer algo eu dificilmente me recuso a mestrar e é comum os convites surgirem apenas alguns minutos antes da sessão de jogo começar e isso nunca foi muito problema para mim.
"Como você faz isso?" é uma pergunta comum e normalmente dou a resposta curta: "eu mestro de improviso", o problema: são poucas as pessoas que entendem o que isso quer dizer e um número ainda menor se preocupa em continuar a perguntar.
Muita gente acha que isso é algum tipo de dom, muita criatividade ou coisa assim, quando na verdade eu acredito que seja um treino, uma prática nascida da necessidade de não desperdiçar nenhuma oportunidade de jogar.
Vou tentar nos próximos dias explicar como faço isso e quem sabe alguém consegue adaptar meus métodos para suas próprias necessidades...
Em primeiro lugar: quando improviso consigo mestrar um jogo com 50% a 70% de minha capacidade e, portanto, na maioria dos casos poderia ter feito algo muito melhor, principalmente quando os jogadores resolvem não colaborar muito com a brincadeira. Se você tiver tempo, prepare sua aventura.
Se alguém já viu alguma "jam session" e ficou impressionado com a capacidade de improvisar e aparentemente criar música "do nada" de diversos instrumentistas, aqui vai algo que pode decepcioná-los: ninguém alí está criando nada naquele momento.
Todo o improviso e aparente frescor das músicas nascidas do "jamming" são frutos de horas e horas de estudo. Os músicos tocam escalas e mais escalas e depois estudam como as notas "conversam entre si" dentro de uma escala e por fim desenvolvem pequenos trechos que soam bem, alguns músicos que eu conheci chamavam estes trechos de "chapinhas".
Quando começa uma jam, a primeira coisa a se fazer é descobrir a escala que está sendo usada, depois o estilo e o compasso utilizado, depois é só selecionar as "chapinhas" adequadas, transportar para o tom correto e tocá-las nos momentos corretos e na ordem que bem se quiser.
As horas de estudo e conhecimento da escala musical permitem ao músico fazer pequenas modificações durante a sessão para adequar sua participação ao gosto dos presentes. É possível também pegar o trecho que algum outro adaptou e, por semelhança com os trechos conhecidos, tocar e "brincar" em cima da música.
É importante ter jogo de cintura e saber jogar com as cartas recebidas, mas a parte mais importante mesmo foi feita antes, quando o estudo das escalas e a criação das "chapinhas" foi feito.
Quando improviso aventuras, sigo exatamente este modelo, tenho muitas cenas de jogos dos mais diversos gêneros armazenados na memória, como se fossem blocos de montar, quando alguém se mostra disposto a jogar, seleciono uma meia dúzia destes blocos e monto o esqueleto da minha história, recheio o esqueleto com os elementos que caracterizem o gênero escolhido e a aventura está praticamente pronta.
Continua nos próximos dias
Posted by itiro at julho 27, 2004 10:45 PM